A Importância do Conhecimento e da Qualificação de Recursos Humanos …
1 Outubro, 2009 / Nuno Gama de Oliveira Pinto
A Importância do Conhecimento e da Qualificação de Recursos Humanos nas Estratégias de Internacionalização e de Desenvolvimento Organizacional
A percepção de que o valor das organizações depende, em grande medida, da sua imagem, reputação, sustentabilidade e responsabilidade social tem vindo a assumir, gradualmente, maior relevância nos modelos de gestão e, em particular, na definição dos objectivos estratégicos das empresas.
Definida como “a integração voluntária de preocupações sociais e ambientais por parte das empresas nas suas actividades e na sua interacção com as partes interessadas” a responsabilidade social tem merecido particular atenção de diversas entidades, designadamente da Comissão Europeia, e, num âmbito mais alargado, da própria Organização das Nações Unidas, que definiu o período compreendido entre 2005 e 2015, como a “Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável”.
Compreende-se, neste contexto, a importância e a prioridade dadas pela União Europeia à implementação da Agenda de Lisboa, cujas principais linhas de orientação saídas do Conselho Europeu, que decorreu na capital portuguesa em Março de 2000, foram recentemente revistas e de novo assumidas como objectivo estratégico por todos os seus Estados membros, nomeadamente:
- o reconhecimento da economia digital e da existência de novos serviços como motor do crescimento económico e da criação de emprego;
- a criação de um espaço europeu de investigação e inovação, devendo as actividades de investigação e desenvolvimento tecnológico, enquanto formas de desenvolvimento económico, ser coordenadas e integradas a nível dos Estados membros e da União Europeia;
- a criação de um ambiente favorável ao lançamento e desenvolvimento de empresas inovadoras, principalmente de pequenas e médias empresas, reduzindo os custos da actividade empresarial e suprimindo a burocracia;
- a realização de reformas económicas com vista a um Mercado Interno completo e plenamente operacional, reforçando as regras da concorrência e da concessão de auxílios estatais, e assegurando a existência de mercados financeiros eficientes e integrados como forma de promoção do crescimento e do emprego, através de uma melhor repartição do capital e da redução do seu custo;
- a modernização do Modelo Social Europeu através do investimento nas pessoas e da construção de um Estado providência activo e dinâmico, fundamental para assegurar que a emergência da Nova Economia não venha a agravar os problemas sociais em matéria de desemprego, exclusão social e pobreza.
Publicado há mais de dez anos, “Sociedade Pós-Capitalista”, um dos muitos livros que Peter Drucker escreveu ao longo da sua vida, e que hoje são referências incontornáveis para tantas áreas da gestão, já, então, procurava chamar a atenção para uma importante alteração de paradigma que estava a acontecer. Dividido em três partes (Sociedade, Política e Conhecimento), o livro começa por abordar historicamente a passagem de uma sociedade capitalista, cujos recursos principais são o capital, a terra e o trabalho, para uma sociedade que tem o conhecimento como recurso base. Uma alteração de paradigma que para Drucker exige uma mudança de mentalidades e novas realidades económicas e sociais.
De facto, dada a crescente globalização dos mercados e a significativa mobilidade dos factores de produção não é possível abordar o conceito de competitividade somente pela existência, ou não, de recursos, já que o que determina a competitividade a prazo é, essencialmente, a forma como esses recursos são utilizados, nomeadamente em termos de valor acrescentado. Deste modo, adquire, em nosso entender, particular relevância a aposta nos chamados factores dinâmicos de competitividade, onde a inovação, a qualidade e a qualificação dos recursos humanos assumem, como se sabe, um papel preponderante.
A análise estratégica poderá, então, desempenhar um papel de relevo, quer na fase de diagnóstico, como na definição dos objectivos que se pretendem atingir. A missão identifica uma visão, cenário desejável do futuro para a organização, que possa constituir-se numa referência, ideal comum, orientando os comportamentos e decisões e motivando a acção. Os objectivos constituem aquilo que a organização pretende atingir. Concretizam a missão e englobam os valores que se pretendem conseguir obter no futuro como resultado da actividade da organização. Neste sentido, deverá procurar antecipar-se a identificação de possíveis ameaças e oportunidades, e, numa avaliação interna, a análise dos pontos fortes e fracos da organização, devendo aquela, prioritariamente, incidir na sua estrutura, cultura e nos recursos que mobiliza.
O Balanced Scorecard estrutura em torno de quatro questões centrais o processo de avaliação das alternativas estratégicas:
- perspectiva cliente: a organização oferecerá ao cliente um valor superior em termos de diferenciação, baixo custo e resposta rápida?
- perspectiva processos: qual a eficácia e a eficiência dos processos críticos que geram valor para o cliente?
- perspectiva financeira: a organização gerará os meios financeiros suficientes para cobrir o custo do capital e manter a sua sustentabilidade?
- perspectiva organização: as alavancas da organização possibilitam que a mesma se ajuste devidamente às mudanças do meio ambiente?
O benchmarking, enquanto porta aberta aos melhores desempenhos e melhores práticas de gestão, poderá revelar-se um excelente instrumento de gestão. Por um lado, procura ajudar as organizações a concentrarem-se mais na obtenção de melhorias significativas e não apenas no simples crescimento, facilitando a identificação dos objectivos a atingir, por outro, propõe-lhes um sistema de avaliação dos próprios processos, tendo em vista uma optimização dos recursos disponíveis e a obtenção de ganhos de produtividade. A sua reconhecida utilidade, nomeadamente como um processo de aprendizagem que promove a mudança de mentalidades, levou a Comissão Europeia e as autoridades nacionais dos Estados membros da União Europeia a incentivar a sua promoção, em especial junto das Pequenas e Médias Empresas, assim como a procurar aumentar as sinergias entre as várias iniciativas, públicas e privadas, em curso, nomeadamente a Rede Europeia de Benchmarking Empresarial.
Nuno Gama de Oliveira PintoProfessor e investigador universitário lecciona actualmente, como professor convidado, na FCSH/UNL (Mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais) e no INDEG/ISCTE (MBA Internacional da Fundação Getúlio Vargas, Brasil). Avaliador e coordenador de investigação, integra a rede europeia de conferencistas e especialistas em Assuntos Europeus da Direcção-Geral da Comunicação da Comissão Europeia, Team Europe, sendo referee e membro do conselho editorial da Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão, publicação co-editada pelo INDEG/ISCTE e pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas.

