Desenvolvimento da eletrónica e da técnica de raios dirigidos
20 Outubro, 2009 / K-BOX Cepen
Trinta anos de pesquisas sobre técnicas de emissão à distância, utilizando feixes de luz concentrada, fluxos de partículas neutras aceleradas, emissões de plasma, ondas micro métricas, projéteis supersónicos, permitem hoje acreditar-se no estabelecimento de um sistema de defesa capaz de interceptar, no espaço, os mísseis portadores de arma nuclear.
Em 1983, ano de seu famoso pronunciamento, o Presidente Reagan encomendou aos meios científicos a realização de dois estudos - um destinado a examinar as tecnologias disponíveis para a defesa contra mísseis balísticos e outro para avaliar as implicações políticas e estratégicas de um novo sistema de defesa contra mísseis balísticos.
As pesquisas tecnológicas foram encomendadas a uma Comissão de Estudos de Tecnologias Defensivas, foram realizadas por uma equipe de 50 cientistas e engenheiros que contaram com o apoio de centenas de assessores, institutos especializados e universidades. Chefiou a Comissão o Professor James Fletcher, ex-Presidente da “National Aeronautics and Space Administration, NASA”.
A avaliação das políticas e estratégias de um novo sistema defensivo foi realizada sob os auspícios do Instituto “Pan Heuristics”, sediado em Los Angeles, liderado por Fred Hoffman. Caso hipotético: um submarino soviético, como o da classe Viktor III, navegando sob o Pólo Norte, se prepara para lançar mísseis nucleares contra os EUA. Seus ruídos alcançam Surtass, puxado pelo navio T-AGO, que manda os dados para análise, em Norfolk. Um sinal de baixissima freqüência é emitido de Michigan e Wisconsin para alertar um submarino americano que sobe à superfície e recebe ordens através de um avião retransmissor C-130. Em seguida dispara um torpedo guiado por um fio e equipado com um sonar que o dirige para o alvo, destruindo-o.
Os mísseis soviéticos por meio de raios de energia dirigida, a partir do momento em que abandonem seus silos ou submarinos são detectados.
O momento critico dessa destruição será na fase ascensional da trajetória (fase de impulsão!. num período ideal de aproximada¬mente 100 segundos, durante o qual os mísseis são mais vulneráveis em virtude da velocidade ainda reduzida e do calor que se desprende de seus propulsores, facilmente detectável a enormes distâncias. Estes mísseis, na fase ascensional estão carregados com suas cabeças nucleares, 2, 4, 6, 8 ou 10 ogivas que, alguns segundos mais tarde, quando alcançarem sua trajetória na estratosfera, os abandonarão e seguirão suas próprias trajetórias. Deixarão portanto de representar um só alvo a destruir, mas, 2, 4, 6, 8 ou 10.
Será tão importante que a destruição do míssil se dê nesta fase ascensional, que o especialista francês Pierre Galois, autor de vários trabalhos sobre a guerra nuclear, deu ao seu livro mais recente, em que analisa esta nova concepção de defesa estratégica, o nome de: A Guerra dos 100 Segundos (”La Guerre de Cent Seconds”).
Para os especialistas norte-americanos, a destruição dos mísseis soviéticos, do tipo balístico, intercontinental, consuma - se quando eles estiverem percorrendo os primeiros 300 ou 400 quilómetros, da ordem de 100 segundos após seu lançamento, de sua trajetória. É um lapso muito curto, numa longa trajetória de cerca de 10.000 quilómetros. Se isto não puder ser realizado o projeto defensivo estará muito prejudicado.
Acredita-se, hoje, que as armas de energia dirigida abrem uma perspectiva muito favorável à defesa antimíssil. Os cientistas dedicados ao aperfeiçoamento da utilização do raio laser para a produção de altíssima energia concentrada, admitem que criaram uma arma que, colocada em terra e no espaço, poderá, no futuro, em meio a um ataque generalizado, com ameaças para tudo de todos os lados, destruir, um após outro, os engenhos inimigos.
As armas de energia dirigida emitem e projetam a grandes distâncias uma intensíssima energia eletromagnética. Seus feixes de energia são lançados à velocidade da luz (raios laser) ou à velocidade cinco vezes menores (fons acelerados) mas que percorrem milhares de quilómetros e cujo poder de destruição se exerce quase que instantaneamente.
Colocadas no espaço, livres das forças de atração oriundas da esfericidade da terra (obstáculo à transmissão em linha reta), as armas de energia dirigida permitirão àqueles que as comandam exercer o seu poder de intimidação sem limites geográficos, podendo destruir alvos sobre a terra ou no cosmos. De emprego imediato e decisivo, em alguns segundos, estas armas superam os conceitos de tempo e distância como os quais nos acostumamos a conviver.
Os raios laser de altíssima energia destroem seus objetivos através da penetração numa área reduzida de sua superfície produzindo uma fusão desagregadora. Seus feixes são dirigidos com extrema precisão.
Em matéria de precisão, as armas de energia dirigidas vão - nos familiarizar com ordens de grandeza inimagináveis. Os cientistas e técnicos envolvidos nos estudos das armas de energia dirigida estão se habituando a de velocidade e precisão até hoje considerados fantasias.
Ao propor-se atingir, por meio de um raio laser emitido de base terrestre, um espelho de 5 metros de diâmetro, colocado em satélite a 40.000 quilómetros, o Dr. Keyworth, conselheiro científico da Casa Branca, não causou surpresa aos seus colegas. Atingir o corpo de um míssil de 3 metros de diâmetro situado a 5.000 quilómetros é também uma hipótese de trabalho comum entre os especialistas. A esta mesma distância, acompanhar a ascensão do míssil e sua carga nuclear, durante vários segundos, não é mais considerado irrealizável. A esta mesma distância de 5000 quilómetros, avaliar os danos sofridos pelo míssil e agravá-los se necessário, ou escolher outra parte para ser atingida, em fração, desintegrado e destruído. A rapidez da emissão e a intensidade da concentração da energia permitem sua transferência, quase instantânea, de um alvo para outro. É emitido de satélites ou de bases terrestres e refletido sobre satélites - espelhos que os dirigem sobre os alvos. Na sua produção são utilizados como combustíveis combinações, contendo hidrogênio - flúor, deutério - flúor, iodo oxigenado etc.
Do ponto de vista físico o laser químico apresenta a desvantagem da degradação a longas distancias e da difusão quando penetra na atmosfera. Sua utilização militar deve - se dar,
portanto, acima da camada atmosférica. Seu emprego mais eficaz, hoje considerado, é sua em emissão partindo de satélites de órbitas baixas, menores de 5.000 km da terra.
O conhecimento das limitações do laser químico deverá orientar as contramedidas utilizadas pelo inimigo visando a minimizar os seus efeitos. Entre estas contra medidas são consideradas: o reforço do revestimento do míssil contra o efeito térmico da emissão; o lançamento de mísseis fantasmas (chamarizes) que absorvam as emissões inofensivamente, confundindo a defesa; atacar os satélites e destruir os espelhos; aumentar o número de mísseis atacantes.
Os laser infravermelhos são produzidos através de combinações químicas na base do cloro e flúor e alguns gases raros como o Xenónio e o Criptónio. São pulsados emitindo ondas. Emitem ondas de comprimento duas vezes mais curtas que as do laser químico. Os laser infravermelhos podem ser dirigidos sobre os alvos através de espelhos de menor dimensão e facilmente instalados em satélites.
Os laser raios X (RX) são produzidos por excitação nuclear.
Quando se dá a explosão de uma bomba termonuclear, a fusão do trítio e do deutério, que constituem o seu núcleo, provoca a liberação de neutrons. Estes, estimulam a emissão do raios X. Submetidos à refração, os raios X transformam - se em energia dirigida. Possuem eficaz poder de penetração e de desintegração dos alvos sobre os quais são dirigidos.
Há ainda no arsenal de armas de energia dirigida, os raios de partículas neutras, os canhões eletromagnéticos e outros em fase de pesquisa.
Há várias concepções de sistemas defensivos baseados no emprego das armas de energia dirigida. O Professor Keyworth propõe um sistema no qual os emissores de raio permanecem na superfície terrestre, colocando-se em órbita apenas os satélites geoestacionários com espelhos (rodando em cima de um ponto terrestre fixo a uma altura espacial de 35 000 km) e satélites circulantes transladando-se em volta da terra a uma altura espacial menor de 2000 km e velocidade de cerca de 30000km por hora. Os satélites geoestacionários são posicionados de modo a cobrir com sua observação simultânea e vigilância as áreas críticas dos territórios norte americano e soviético. As emissões de laser da terra serão dirigidas aos espelhos dos satélites geoestacionários que as refletirão aos satélites circulantes e estes as dirigirão sobre os mísseis soviéticos logo após serem projetados no espaço. Este sistema, teoricamente coerente, na prática apresenta ainda dificuldades técnicas a serem superadas.
Outro sistema defensivo apresentado é o do Prof. Teller, sugerindo uma operação chamada “pop up”. Baseia - se na permanência no espaço apenas dos satélites geoestacionários de observação e vigilância. As armas de energia dirigidas, satélites circulantes com emissores de raios, canhões eletromagnéticos e outras permanecem em terra, prontos para serem lançados a partir do momento em que o inimigo desencadeie o ataque (first strike). Segundo o Prof. Teller este sistema diminui a vulnerabilidade das armas de defesa e é menos provocativo.
Embora um sistema defensivo baseado em armas de energia dirigida somente esteja em condições de ser implantado no fim do século - como previu o Presidente Reagan - há razões sobejas para não se descrer de sua exeqüibilidade. Entre estas razões, pesam entre outras, as seguintes: o governo norte americano destinou a elevada soma de 26 bilhões de dólares para o programa Iniciativa de Defesa Estratégica (SDI), para o período 1985-1989; pesquisas várias estão sendo realizadas pelas grandes empresas Westinghouse, General Eletric, Rocketdyne, LTV Aerospace, Martin Marietta, Ford Aerospace e Universidade do Texas; importantes institutos tecnológicos oficiais norte-americanos receberam também tarefas de pesquisas; a coordenação geral das pesquisas está a cargo do General James Abrahamson, Diretor do Programa SDI (Strategic Defense Initiative).
Várias autoridades científicas e institutos norte-americanos vêm apresentando seus conceitos e sugestões sobre a viabilidade de instalações de um sistema defensivo baseado em armas de energia dirigida.
Em síntese, porém, podemos considerar que tal sistema defensivo terá que se apoiar no extraordinário desenvolvimento de todo o campo da eletrónica. As armas dirigidas, de alta intensidade térmica e de velocidade da transmissão da luz, para serem utilizadas, dependem dos meios eletrônicos e microeletrônicos de comunicação e de informática - radares, computadores ultra-rápidos, equipamentos óticos de vigilância e rastreamento, centro de controle capazes de receber e processar enorme fluxo de informações e de acionar botões de comandos.

