Estratégia Militar - Princípios de Guerra ou Princípios Estratégicos
20 Outubro, 2009 / K-BOX Cepen
A Estratégia moderna é uma aplicação de ciência e arte. Do ponto de vista científico a história das guerras é marcada pela evolução da tecnologia, resultando na mudança constante dos enge¬nhos e, em conseqüência, na mudança radical das condições de batalha. A arte da guerra envolve uma análise crítica e histórica do ambiente bélico. O militar profissional extrai desta análise os princípios fundamentais, suas aplicações e combinações através do tempo. Os princípios de guerra ou principias estratégicos, extraídos desta análise histórica, exprimem os ensinamentos oriundos tanto da arte quanto da ciência da guerra. Não se trata de princípios imutáveis nem casuísticos, nem eles por si só asseguram receitas infalíveis para a vitória.
Como arte, o conhecimento da Estratégia militar deve ser robustecido pelo estudo da História. Observou o General Slim que “por muito que se alterem as condições das guerras, não somente os militares, mas também os dirigentes políticos e cidadãos comuns muito podem encontrar, no estudo dos conflitos passados, com possibilidade de aplicação nos conflitos futuros; para a busca dos ensinamentos de possível aplicação no futuro, algumas guerras do passado fornecem melhor antevisão do que outras”.
Há quatro séculos Maquiavel aconselhava: “No que tange ao exercício da mente, deve o Príncipe ler a História e considerar sobre a ação dos grandes homens, ver como se conduziram nas guerras, examinando as causas de suas vitórias e derrotas, para poder fugir a estas e imitar aquelas.”
Também Napoleão aconselhava a leitura freqüente das campanhas de Alexandre, Aníbal, Gustavo Adolfo, Turenne e Frederico, o Grande. Segundo Bonaparte, era a única maneira de um chefe militar assenhorear-se da arte da guerra.
O Almirante Mahan, considerado o precursor da teoria do poder marítimo, considerava que “a análise histórica da Estratégia e da Tática naval era o exercício intelectual para conciliar meios e fins, sem o que a Estratégia é uma aventura”.
Na União Soviética há uma forte corrente de pensadores militares que leva a importância da História além de seus justos limites: defende o ponto de vista de que a análise histórica conduz às leis que comandam a evolução dos conflitos internacionais ou entre classes sociais.
O valor desses princípios reside na sua importância como padrões de referência para a análise estratégica ou para as necessidades táticas. Para o estrategista, os princípios de guerra proporcionam um guia para as interrogações do planejamento militar, um conjunto de questões que devem ser consideradas pelos planejadores e pelos comandantes. Para os planejadores e comandantes táticos estes mesmos princípios oferecem modelos para orientar a ação de combate.
Os princípios de guerra ou estratégicos não devem, jamais, ser considerados um receituário infalível; mas, se bem interpretados e corretamente aplicados, serão um estímulo para o espírito dos chefes e lhes oferecem um paradigma para a ação.
Todas as Forças Armadas do mundo adotam Princípios de Guerra ou Princípios Estratégicos, aceitando-os como a estratificação de valores que se preservaram através de uma experiência milenar. As Forças Armadas das grandes potências, detentoras de uma experiência histórica mais rica, no tempo e no espaço, incluem alguns valores peculiares entre os seus princípios. Nas nações mais jovens, menos experientes, as Forças Armadas adotam os princípios oriundos da doutrina de seu principal aliado. Este é o caso das nossas Forças Armadas vinculadas aos Estados Unidos pelo Tratado Interamericano de Defesa e por acordos bilaterais.
Os princípios de guerra vigorantes hoje nos Estados Unidos e, com modificações mínimas, em todos os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) são:
• objetivo;
• ofensiva;
• massa;
• economia de forças;
• manobra;
• unidade de comando;
• segurança;
• surpresa;
• simplicidade.
Na União Soviética, em função da experiência bélica, do caráter nacional, da índole do povo russo e da imensa extensão geográfica, os princípios conhecidos são os seguintes :
• ofensiva;
• manobra e iniciativa;
• concentração e economia de forças;
• avanço e consolidação;
• armas e ações combinadas;
• aniquilamento;
• ação de comando;
• qualidade e quantidade das forças;
• reservas adequadas;
• moral;
• estabilidade de retaguardas;
• surpresa.
Considerando- se que a doutrina militar brasileira muito se aproxima da norte americana, em virtude de fatores estratégicos vários, como nossa posição ocidentalista, nossos vínculos na aliança hemisférica, nossos acordos bilaterais, analisaremos e daremos uma interpretação sumária a cada um dos nove princípios de guerra, válidos, hoje, na doutrina dos Estados Unidos e das potências do Ocidente.
Objetivo -
Ofensiva -
Massa -
Economia de Forças - Na distribuição do poder de combate, o mínimo essencial deve ser destinado aos objetivos secundários.
Manobra - O inimigo deve ser colocado em situação desfavorável através da aplicação flexível do poder de combate.
Unidade de comando - Para cada objeto deve haver unidade de esforço sob a responsabilidade de um único comando.
Segurança - Não permitir jamais que o inimigo nos surpreenda.
Surpresa-Ser capaz de atuar no ponto e momento em que o inimigo não espere e seja apanhado despreparado.
Simplicidade-Preparar planos claros e de simples execução e expedir ordens claras e concisas, a fim de assegurar o seu fácil entendimento por todos os executantes.
Os princípios acima conceituados têm aplicação tanto no campo estratégico como no tático, variando a dimensão da área de sua envolvência e a quantidade e complexidade dos meios empregados e devem estar presentes tanto na fase de planejamento como de execução das operações. Estes princípios são interdependentes e inter-relacionados; nenhum deles pode ser aplicado com a exclusão dos outros; nenhum deles por si só pode assegurar a vitória.
Como conceitos estratégicos aceitos e aplicados na atualidade destacamos os seguintes:
• Estratégia de Ação Direta.
• Estratégia de Ação Indireta.
• Estratégia de Guerra Revolucionária.
• Estratégia Nuclear.
• Estratégia Espacial ou da “Guerra nas Estrelas”.

