Globalização: Internalização da internacionalização

17 Fevereiro, 2010 / Jaime Rotstein

Do meu ponto de vista, a globalização – que é a forma como foi batizada a internacionalização da economia – é um processo irreversível, dificilmente administrável de dentro do país para o contexto das nações, pois o comando do mesmo está totalmente na mão dos países ricos.O que os referidos países estão fazendo – á perfeição – é administrara internalização da internacionalização. E, como é difícil fazê-lo às custas dos ricos, procuram administrar o processo para defender os seus interesses, de preferência às custas dos países pobres.

O fenômeno da globalização, se é irreversível, não exige que – enquanto dure – seja acolhido com tamanho entusiasmo que oblitere a visão dos interesses nacionais dos países menos desenvolvidos. Ao contrário, como a globalização é o pretexto para se cobrar cada vez mais caro a participaçãodetais países no processo,sob pena de excomunhão econômica e aumento da pobreza, é preciso administrar a sua internalização.

E como isso pode ser feito? Será que reclamar do comportamento dos países ricos vai atenuar as consequências do seu conhecido e reconhecido egoísmo? A experiência mostra que algumas medidas de proteção dos interesses e soberania nacionais podem ser tomadas, como fruto de uma correta avaliação geoestratégica, baseadas na forma de segurar um passarinho na mão: não tão apertado que o esmague,nem tão frouxo que ele voe.

Para alcançar a dosagem adequada para administrara internalização da internacionalização, é fundamental ter sempre presente quais são os interesses nacionais em cada caso e em cada situação, estabelecendo a forma de ceder o mínimo e otimizar as concessões ao máximo. Um bom exemplo de onde o Brasil e – até aqui – os seus parceiros do Mercosul vêm gerenciando bem uma questão crucial, é a pressão americana para a criação rápida da ALCA, o Mercado Econômico Comum do Continente Americano. Ou seja, no atacado a política do País está correta e o Itamarati vem conduzindo o processo com competência. O mesmo já não ocorre no varejo, quando concessões desnecessárias são feitas a todo momento.

Ainda recentemente, numa licitação internacional, uma empresa estrangeira criou o maior caso, porque a mesma foi ganha por uma empresa brasileira. Para fazê-lo contou com o apoio do governo de país desenvolvido, onde tem a sua sede. Foi uma batalha desigual, em que o governo brasileiro resistiu preocupado com o nível das pressões recebidas. O que ficou claro é que uma empresa brasileira, no seu próprio País, não deve precisar competir, em tradição e dimensão, com empresas estrangeiras, para receber um contrato. Basta ter as condições efetivas de uma performance adequada.

Há um componente adicional, perverso, que enfraquece a capacidade do País de administrar a internalização da internacionalização corretamente. É a sua fraqueza econômica, levando-o a depender exageradamente de empréstimos e capitais voláteis, oriundos do exterior. Para evitá-lo é fundamental a modernização da economia, junto com a valorização da competência e da seriedade, particularmente na administração pública. Os segmentos da sociedade que defendem os privilégios, seja por interesse pessoal, seja por interesse político, na verdade são aliados dos países ricos na globalização dos países pobres, impedindo-os de administrar o processo no seu próprio interesse.

Talvez falte fazê-lo compreender pelos setores mais radicais que procuram abafar o incêndio jogando gasolina.

É importante compreender e assimilar que entender a globalização não obriga a engolí-la, como uma pílula de sobrevivência, sem ao menos fazê-lo com um gole de água. E, adicionalmente, os piores inimigos do processo, por enquanto inexorável, são, ao mesmo tempo, seus melhores aliados quando enfraquecem a capacidade de resistência do organismo nacional.

A dependência Externa

É claro que a globalização atende essencialmente os interesses dos países ricos. Independente das gigantescas contradições que existem entre os mesmos – com destaque aqueles reunidos no Mercado Comum Europeu, no NAFTA (Mercado Comum dos Estados Unidos, Canadá e México), a China, o Japão e demais países do Sudeste da Ásia – a emergência do novo conceito revolucionou as relações entre países ricos e países pobres. Sob o manto da nova moda, que exige adesão, independente do tipo do corpo e da cor da pele, graves distorções vão se consolidando. Talvez uma das mais graves seja a da tentativa de adaptar-se a conceitos válidos em países desenvolvidos, mas que não vestem corretamente em países emergentes ou subdesenvolvidos.

Alguns exemplos flagrantes dos riscos dos rituais estabelecidos pelos países desenvolvidos, são os seguintes:

1) A posição da China Comunista, explorando a mão-de-obra ridiculamente remunerada, para poder dar o salto de crescimento que vem dando, a custa da exportação a preços não competitivos de sua produção, com custo de mão-de-obra insignificante. Em termos de revolução de proletariado é a glorificação da plus-valia, a serviço de grupos internacionais, cuja única preocupação é o controle da qualidade dos produtos que importa. É a glorificação da exploração capitalista de um subcontinente comunista, para reduzir a capacidade competitiva dos países pobres. Marx, se ressuscitasse, nunca conseguiria uma explicação dialeticamente aceitável de tamanha contradição. No particular, a globalização econômica, para gerar lucros e garantir hábitos de consumo e nível de vida nos países ricos, engoliu a coerência ideológica – fenômeno recente que marca o fim do Século XX.

2) A presença de multinacionais nos países emergentes, complementando a fase de exploração pura e simples de recursos naturais – como é o caso, por exemplo, dos recursos hídricos para gerar eletricidade que representa 60% do valor do alumínio. Com a globalização, novas indústrias se instalaram, ativando o setor secundário em certos setores, e até mesmo o setor de serviços, com conseqüências nem sempre entusiasmantes na geração de impostos ou hábitos de consumo ajustados às diferentes realidades nacionais. Pode-se citar o exemplo das empresas multinacionais que manipulam os custos dos componentes que fabricam em diferentes países, para concentrar os lucros em semiparaísos fiscais. Isso é um processo incontrolável, em que a alienação da soberania precisa ser justificada apelando para a inexorabilidade do processo. Ao mesmo tempo, outro exemplo seria a imposição pela propaganda de hábitos de consumo “soi disant” modernizantes que privilegiam o uso de automóveis em detrimento do transporte de massa. É a geração da poluição e a indiferença diante dos pobres, que ambicionam à redenção, rendendo-se aos hábitos de consumo dos países ricos.

Curiosamente ocorre com frequência que os governos se rendem ao poder dos molochs gerados pela globalização, atendendo ao clamor de sindicatos que dependem das empresas – que pedem redução de impostos e favores fiscais para se instalarem no país. Apesar disso, tais empresas não têm o menor constrangimento em aumentar os preços dos seus produtos baseados em planilhas translúcidas, por certo.

3) O sentimento de que a globalização veio para ficar e, portanto, o importante é adaptar-se a essa realidade. No caso a tese do “relax and enjoy” leva a concessões que excedem as expectativas até mesmo daqueles que se beneficiam delas. No particular, a aceitação absolutamente passiva de que o processo é inevitável, irreversívele inadministrável, causa prejuízo que – se qualificado – provocaria a maior perplexidade.

O Gerenciamento Interno

Impõe-se, portudo o que foi apontado em termos de dependência externa,que a mesma seja restrita ao mínimo necessário. O balé dos países ricos, impondo seus interesses, sua tecnologia, sua forma de análise, precisa ter a contrapartida do planejamento estratégico da evolução das concessões feitas internamente. A educação dos quadros dirigentes para serem capazes de recuar e avançar, visando a otimizar os ganhos no processo de globalização e minimizar os seus custos é uma arte e uma ciência.

Quando apareceu no Brasil a filosofia do “feasibility study” como instrumento indispensável, glorificou-se a filosofia do “input”, do “output” e do “feedback”. Havia razões para tanto, mas gigantescos exageros foram admitidos, como o da justificativa para construir a estrada Porto Velho-Manaus implantando kibutzim ao longo do seu traçado. Imaginar kibutzim na Amazônia é uma forma perigosa de loucura. Mas isso foi apresentado às autoridades brasileiras e submetido a organismos internacionais de crédito – tendo sido poucos os que no Brasil protestaram naquela época. Transpondo a falta de reação assinalada, e o desejo subliminar de aceitar as teses que nascem e crescem nos países ricos para os dias de hoje, existe um denominador comum: falta de sensibilidade.

O sentimento da inevitabilidade

Na verdade, só a convicção de que a globalização veio para sempre, enquanto durar, pode levar ao entendimento de que ela é administrável internamente. É preciso ter presente todo o tempo o ditado popular mineiro: “a suprema felicidade está em nascer burro, viver ignorante e morrer de repente”. Não é o caso de um país como o Brasil, que tem tudo para mineiramente administrar a globalização, internalizando-a com inteligência, astúcia e habilidade.

Na verdade, só a convicção de que a globalização veio para sempre, enquanto durar, pode levarão entendimento de que ela é administrável internamente. É preciso ter presente todo o tempo o ditado popular mineiro: “a suprema felicidade está em nascer burro, viver ignorante e morrer de repente”. Não é o caso de um país como o Brasil, que tem tudo para mineiramente administrar a globalização, internalizando-a com inteligência, astúcia e habilidade.

Jaime Rotstein fundou a Sondotécnica em 1954. O que poderia ser apenas a trajetória comum de um empresário bem-sucedido tornou-se um exemplo de dedicação, colaboração e trabalho contínuo em defesa do progresso de nosso país. Para Jaime, conduzir uma empresa nunca foi o bastante. Segundo suas próprias palavras “É dever do homem de bem trabalhar em prol da sociedade, querer mais, buscar o conhecimento, deixar um legado para nossas gerações futuras”. E é isso que Jaime Rotstein tem procurado fazer em seus mais de 50 anos de carreira. Esses princípios e conduta acompanham o empresário desde sua infância e adolescência. Sua família, de origem simples, veio da Polônia para o Brasil na década de 20. Seu pai foi uma importante influência em sua vida. Com ele aprendeu a valorizar a importância do trabalho desde cedo. Jaime Rotstein começou a trabalhar com apenas 11 anos, não apenas para ajudar nas despesas de casa, mas também por possuir um forte espírito empreendedor.

Jaime Rotstein
- Jaime optou pela primeira, e em pouco tempo já ingressava na Escola Nacional de Engenharia do Rio de Janeiro. Aluno de destaque, chamou a atenção de professores e importantes profissionais do mercado de engenharia, com os quais estaria trabalhando em pouco tempo.
- Com apenas 25 anos de idade - e contando com o apoio de importantes figuras da área de engenharia como os engenheiros Tasso Costa, Nilo Colonna dos Santos e o Professor Antônio José da Costa Nunes – Jaime Rotstein fundou a Sondotécnica.
- Desse momento em diante, seria construída não apenas uma carreira de sucesso, como também uma trajetória de vida repleta de realizações profissionais e cívicas.
- Ainda frequentava as salas de aula da Escola Nacional de Engenharia, quando se engajou na campanha “O Petróleo é nosso”, ao lado do seu primeiro chefe, o engenheiro Luiz Hildebrando de Barros Horta Barboza (Presidente do Comitê Diretor da Campanha).
- Assumiu posições de liderança em assuntos vitais para os interesses do Brasil, como a Campanha de Defesa de Engenharia, a qual resultou no decreto (64.345 de 10/04/1969) que fundamentou a categoria.
- Ganhou o apelido de Mr. Know-How ao cursar a Escola Superior de Guerra em 1965. Criou a Associação Brasileira de Engenharia e Saneamento, que se transformou na Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (ABES), recebendo o título de Patrono da Memória da Engenharia Sanitária e Ambiental em 1999.
- Teve destacada atuação na defesa do uso intensivo do álcool combustível, recebendo em 1983 o título de Pioneiro do Álcool Carburante, conferido pelo Instituto de Engenharia de São Paulo.
- Em 1986, foi nomeado pelo Presidente da República, José Sarney, para a Comissão Nacional de Energia, por notório saber e ilibada reputação. Em março de 1999, foi eleito para o Conselho de Administração da Petrobras e da BR Distribuidora, oportunidade em que expôs e defendeu a tese de aproveitamento máximo do petróleo pesado brasileiro a ser refinado no Brasil. Ainda em 1999, integrou o Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro.
- Além de uma destacada vida empresarial e pública, Jaime Rotstein participou de dezenas de conferências, mesas-redondas e programas de TV no Brasil e no Exterior. Escreveu diversos artigos e publicou 13 livros que podem sintetizar grande parte de suas idéias e de sua filosofia.

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